Descrição
Percurso marcante por ter início no ponto mais alto de Portugal continental e acompanhar o início do rio Zêzere na sua etapa de montanha, ao longo de um dos mais emblemáticos vales glaciários de Portugal. É parcialmente coincidente com a GR do Zêzere, que integra os Portuguese Trails.
A partir da Torre, a 1.993 m de altitude, o percurso é algo desafiador pela sua extensão e pelos desníveis a ultrapassar terminando em Manteigas, a 755 m de altitude. No planalto da Torre a longa descida tem desníveis suaves. Atingimos o patamar do Cântaro Magro, do Covão do Boi, um prado de altitude, e, logo abaixo, passamos junto à Senhora da Boa Estrela. Deste ponto apanhamos um trilho que segue paralelo à N339 e desce a vertente virada para a barragem do Covão do Ferro e do Vale da Alforfa, com amplas vistas para este circo glaciário. É o reino da pedra. Dominam as formações graníticas, as grandes paredes rochosas, os vestígios e marcas dos antigos glaciares. Um pouco abaixo, o trilho acompanha a cumeada de uma pequena crista, com vistas para ambos os lados. Trata-se de uma moreia lateral, uma acumulação de materiais arrastados pelo deslizamento da língua glaciar. Logo depois, atingimos outro patamar, a grande depressão da Nave de Santo António, igualmente de origem glaciar. Este covão alberga o maior cervunal (zona com cervum Nardus stricta) da Estrela, um prado natural de altitude, que outrora era sazonalmente visitado por milhares de cabeças de gado. Atravessamos este prado até ao seu extremo norte e voltamos a descer até apanharmos a N338, agora no vale do Zêzere. Deste ponto temos a perspetiva mais habitual deste vale glaciário, um longo vale de traçado linear e de configuração em U.
Fazemos mais um troço em asfalto e passamos pelo Covão da Ametade, um dos patamares que o glaciar do Zêzere encontrava na sua descida da serra. Atualmente, é uma zona de lazer, arborizada, com parque de campismo e de piqueniques, com várias infraestruturas de apoio. Abaixo voltamos a apanhar o trilho, que desce quase até ao rio Zêzere – ainda um fio de água neste local – e, a partir daqui, acompanhamos a descida deste curso de água, ao longo de um trilho de montanha pouco desnivelado. Quando o trilho dá lugar a um caminho mais largo começam a surgir zonas mais abertas e aplanadas, algumas várzeas, zonas agrícolas e pastagens, junto ao rio. Também se vêem vestígios de antigos socalcos na encosta esquerda, enquanto que na vertente direita estes patamares são ainda mantidos e utilizados. De vez em quando vêem-se algumas ovelhas e cabras por estas vertentes. A meio do vale vemos outra moreia glaciar, uma crista que se inicia a meio da encosta oposta e vai diminuindo, seguindo paralela ao rio e formando uma barreira natural que este teve que contornar. Um pouco abaixo, atravessamos o rio por um largo pontão e seguimos agora por um estradão mais largo em terra batida. Continuamos a descer o vale, ladeado por grandes e empinadas vertentes que nos acompanham sempre até entrarmos na zona urbana de Manteigas, passando ainda pelas Caldas de Manteigas e antigas fábricas de lanifícios, até terminar no adro da igreja de São Pedro.