Descrição
A
Rota do Solar é um percurso pedestre denominado de pequena rota. As
respetivas marcações e sinalizações obedecem às normas internacionais. O
percurso desenvolve-se na zona de influência da Área Protegida das
Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d’Arcos, dando a conhecer o seu valor
natural, e com passagem obrigatória pelo Solar de Bertiandos.
O percurso inicia junto à ponte de
Esteiro, construída durante o séc. XVI ou XVII, e segue em direção às
ruínas de um antigo moinho. Viramos à direita para atravessarmos o
aglomerado urbano da freguesia de Bertiandos. Pelo caminho encontraremos
a igreja paroquial e vários elementos de cariz religioso, como seja a
cruz do séc. XVIII, pertencente à via-sacra. Seguimos as indicações até
que, no final de um caminho coberto por uma ramada, viramos à esquerda,
pela berma da Estrada Nacional (EN) 202, para nos posicionarmos em
frente ao portão do solar de Bertiandos. Fundado no séc. XV, é um
ex-libris do Norte do país, não só por possuir uma torre erigida em 1566
por Inês Pinto, viúva do segundo senhor de Bertiandos, mas também por
ter dois corpos acrescidos, para cada um dos lados, fruto dos dois
vínculos instituídos aos seus dois filhos.
No quintal do solar é possível
visualizar o Marco Miliário, do séc. III, exemplar da arquitetura romana
que ali foi mandado colocar, com a extinção do Couto de Bertiandos,
pelo senhor da casa de Bertiandos. Carateriza-se por ser um bloco
troncocónico de granito que mede 2,5m de altura.
Retomamos
o percurso e, pouco depois, viramos à esquerda pelo Caminho Municipal
(CM) 524 até chegarmos ao Senhor da Saúde. Aconselhamos a visita a este
espaço subindo pelo parque de merendas até ao cruzeiro com a inscrição
1613 na base. Do lado direito, encontramos a entrada para a casa de Sá,
propriedade privada, onde nasceu o Conde da Barca, ministro de D. João
VI. Em frente ao portão da casa está a igreja do Senhor da Saúde, com
elementos arquitetónicos muito variados, denunciando a construção do
séc. XX.
Regressamos ao percurso e, seguindo
as indicações, entramos na Área Protegida pelo lugar de Louredo, onde
foram identificados vestígios de uma ocupação tardorromana. Segue-se uma
extensão considerável marcada pelo contacto com os valores naturais do
espaço, nomeadamente, por ordem de passagem, aqueles que se encontram
associados à lagoa do Mimoso, ao rio Estorãos e à lagoa de S. Pedro
d’Arcos, biótopos que estiveram na origem da classificação da Área
Protegida como zona húmida de importância internacional. Em ambas as
lagoas existem postos de observação destinados à observação de espécies,
sobretudo de avifauna aquática.
Aconselhamos uma breve pausa.
Partindo do posto de observação da lagoa de S. Pedro d’Arcos,
continuamos pelo passadiço, estrutura em madeira sobrelevada, até chegar
a uma bifurcação que devemos tomar, percorrendo uma zona de pastagens
naturais que foram durante décadas mantidas pelo pastoreio de gado
bovino. Saímos do passadiço, em plena área de tapadas, onde predominam
os bosques de folhosas autóctones e dirigimo-nos até uma estrada
asfaltada que devemos seguir, virando à direita. Passamos sobre o rio
Estorãos e continuamos em frente, envoltos por um túnel de vegetação,
até chegarmos de novo às ruínas do moinho e, por conseguinte, ao ponto
de início do percurso.